Fiz o ginásio e o segundo grau no Colégio Pedro II. Todo dia lá ia eu: de saia plissada, sapato boneca e blusa branca (ultra bem passada) estudar muito num colégio de média alta onde ainda se aprendia: latim, filosofia, educação musical e que possuía uma disciplina super rígida. (!) Nessa época eu fazia parte da equipe de Ginástica Rítmica do colégio e me dedicava diariamente aos treinos, após a aula, e as competições. Cheguei a ganhar um campeonato carioca juvenil (!!!) Era uma fase de só pensar em estudar-treinar-treinar-estudar.
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Aos 15 anos, disse para os meus pais: “Pai, mãe: lembra que quando eu era criança eu vivia dizendo que queria ser atriz? Então, acho que chegou a hora de começar”. No ano seguinte, a despedida da vida de atleta e a entrada no Tablado, na turma do Prof. João Brandão. Era aquilo! Eu nunca tinha me sentido tão confortável em qualquer outro lugar além de ali: no palco. Começava a descoberta do mundo. De mim mesma e do fantástico mundo do “faz de conta”.
E aí, foi. Vem sendo...
Primeira peça profissional: “Julieta ou a Chave dos Sonhos” de George Neveaux e depois “Bailei na Curva” direção do meu querido amigo Felipe Camargo e depois “A beira do mar aberto” de Caio Fernando Abreu e depois uma novela Tocaia Grande, de Jorge Amado na extinta (nossa! Já trabalhei numa tv extinta!) Rede Manchete, dirigida por Regis Cardoso e depois por Walter Avancinni, ambos já falecidos e que deixaram saudade, mas também uma obra que mostra o imenso talento de cada um.
Um trabalho, ouro, outro, outro. Aos 19 anos, uma viagem à Europa e na volta a necessidade urgente de estudar, de entender melhor o que eu estava fazendo e o que era todo aquele novo mundo. Então fui ter aulas com um “gigante”, a atriz Camila Amado e por lá fiquei alguns anos. Interpretação, dramaturgia, filosofia.
A “Casa da Camilla” respirava a arte e eu queria colocar tudo aquilo para dentro! Comecei a escrever ali, e também a produzir teatro. Um tempo depois, o vestibular, para: Filosofia, na Puc.
Daí, durante cinco anos, minha vida era: ler, escrever, tentar entender, ensaiar, produzir espetáculos (que eu acreditasse e quisesse “dizer”). Um emaranhado de arte e pensamento e experimentos teatrais. Exercitando as possibilidades, arriscando, ousando, acertando, errando, ganhando, perdendo. Eu chegava a borbulhar! |
Aos 25, a “formatura”. Fim da era estudante. Os cinco anos seguintes desembocam no “agora”. Foram peças e mais peças, um musical (e lá estava eu aprendendo a cantar!) e mais peças produzidas. Estava um pouco mais consciente do que eu estava querendo artisticamente. Mas, o grande lance dessa fase foi continuar a escrever e agora acreditar que valia a pena.
Daí, aconteceu algo novo pra mim: “De perto, ela não é normal”. Primeiro o texto, depois a coragem de lê-lo em voz alta, depois a preparação para fazê-lo, a chegada do Flavio Rocha para dirigir a peça e da Ellen Millet para dirigir a arte: tinham profissionais maravilhosos acreditando no meu texto. Uau!
Em seguida o convite para estar em “Toilete” (peça do Walcyr Carrasco, com direção da Cininha de Paula, grande encontro este!) e as primeiras experiências no stand up comedy, com texto próprio (aprendendo o gênero com Cláudio Torres Gonzaga). E mais peças escritas. Assim como colunas, contos, enfim...quando me dei conta estava escrevendo diariamente. E a vergonha de acreditar no que havia escrito foi passando. E tinha platéia! Porque são eles:o público. São eles que dão o valor para o trabalho que está sendo apresentado, porque faço para eles, falo com eles. E amo ver as carinhas na platéia reagindo, ali, “aqui e agora”!
E aí, essa atriz, que agora também escrevia, estava se sentindo segura para arriscar uma platéia maior: a da televisão. Então, veio o primeiro vídeo book (esse, a gente nunca esquece!) e as primeiras escalações na TV. Um prazer. Sendo bem recebida por todos. Descobrindo um novo mundo e também me apaixonando por ele. Comecei a sentir que eu conseguia ficar calma e concentrada, mesmo dentro daquela correria toda. E a cada nova participação, mais vou aprendendo do veículo e me “jogando” nele.
E aqui estou: inteira, presente, atenta, vivíssima da silva! Pronta para viver mais cinco, dez, de cinco em cinco, vinte anos, as fases que a vida, totalmente entrelaçada com a arte, ainda me reserva.
Bemvindos!
Suzana Pires |